Queriam esquecer-nos mais uma vez...

Jornal desportivo que se diz ser "uma paixão"

tentou ignorar os outros 5 milhões de portugueses -- os que vivem "lá fora"

 

 

A Associação dos Portugueses no Estrangeiro verifica com enorme mágoa a sistemática marginalização de que são alvo os Portugueses que vivem no estrangeiro. Para alguns continuam a não contar.

 

A contradição de tudo isto, porém, é que num dia a saida de nossos compatriotas em busca de trabalho fora das nossas fronteiras é contabilizada e é noticiada em grandes manchetes, no outro faz-se de conta que não existem

 

O jornal "A Bola" é o diário mais lido pelos Portugueses que residem no estrangeiro. O seu director, Vitor Serpa, sabe disso. E sabe também, ou devia saber, que Portugueses não são apenas os que vivem no espaço fisico da Peninsula Ibérica, mas os que por todos os cantos do Mundo vivem, trabalham e honram Portugal.

 

Vitor Serpa, ao permitir que fosse dada à estampa, na edição de Sábado do jornal que dirige, o título "10 milhões em campo", é responsável pela manutenção desse enraizamento de divisão entre portugueses, que estes tristes episódios mais acentuam. Uns contam, os outros só às vezes.

 

Vitor Serpa, como director de "A Bola", tem responsabilidades nesta questão, por isso mesmo deve um pedido formal de desculpas aos 5 milhões de Portugueses que vivem no estrangeiro e vibram mais do que ninguém com os feitos da nossa selecção. Que choram ao olhar para a sua bandeira e ao ouvir o hino nacional, que andam milhares de quilómetros para saudar a chegada dos nossos jogadores.

 

Esses homens e mulheres são Portugueses de corpo inteiro. Não estão nas suas terras e aldeias pelas circunstâncias da vida que o Vitor Serpa tão bem sabe. E se assim é, porque é que para "A Bola" e para o Vitor Serpa deixaram de ser Portugueses?

 

Gabriel Fernandes

Secretário Geral