Uma iniciativa de grande significado
que responde às questões apresentadas pela nossa Associação ao SECP
A APE tomou conhecimento da criação, por iniciativa do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, do futuro Observatório da Emigração Portuguesa. O protocolo assinado com o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e de Empresa (ISCTE) ambiciona oferecer as garantias de competência necessária no tratamento científico das questões, numerosas e diversificadas, que estão ligadas à emigração portuguesa.
Em alguns dos objectivos do protocolo agora assinado julgamos poder extrair a idéia de que os aspectos que foram abordados pela Associação dos Portugueses no Estrangeiro durante a reunião que tivemos com o SECP, em Dezembro passado, forma devidamente interiorizados, pelo que nos congratulamos pela célere resposta a esta questão que vem ao encontro das nossas preocupações.
Nessa reunião, a delegação da APE fez entrega ao Secretario de Estado das Comunidades do primeiro exemplar do “projecto “Defender a Historia, Preservando a Memória”, que visa desenvolver um conjunto de iniciativas, em Portugal e nas Comunidades Portuguesas, com dois objectivos essenciais:
1 – Preservar a memória da emigração portuguesa no mundo, mobilizando, para tal, as comunidades portuguesas no mundo e os seus agentes representativos.
2 – Agir para a criação em Portugal de uma estrutura museológica que, à imagem do que existe noutros países, particularmente em França, Estados Unidos ou Israel, possam representar condignamente tal ambição.
A APE, através de alguns dos seus membros, esteve ligada à criação do Museu da Emigração e das Comunidades Portuguesas na cidade de Fafe.
Aquele município foi, portanto, o primeiro a dar corpo a esta necessidade premente das comunidades portuguesas. Pensamos por isso que esta grande iniciativa deve ser devidamente enquadrada no projecto nacional do Governo, tendo tudo a ganhar na complementaridade dos dois projectos e na utilização das competências e experiência da equipa que anima o Museu de Fafe.
Para a APE esta temática é de grande importância e não pode ser adiada indefinidamente, como aliàs tem acontecido, ao longo da longa historia da emigração, com outras importantes questões que a preocuparam e preocupam.
Nesse sentido, e como foi acordado com o SECP, a nossa Associação mantém toda a disponibilidade para trabalhar, em sintonia e em sinergia, com todos os actores e instituições (todos serão poucos...) susceptíveis de fazer desta questão, uma preocupação nacional, sempre presente, seja qual for o governo que passe por S. Bento.
Pensamos que a criação do Observatório da Emigração, para além de servir o projecto do futuro Museu das Comunidades, pode ser de grande utilidade para a economia portuguesa, pois como acontece com as empresas de produtos alimentares, cujo desenvolvimento foi fulgurante nas comunidades portuguesas, há certamente outras actividades que podem e devem ser desenvolvidas, no interesse de Portugal e das suas comunidades espalhadas pelo Mundo.
Ainda assim não podemos deixar de lamentar que tal iniciativa não tenha sido proposta e animada pelo anterior Conselho das Comunidades Portuguesas que perdeu aqui uma óptima oportunidade de mostrar a sua utilidade e de dar a visibilidade à sua existência. Se este projecto e o trabalho em torno das questões da memória e da cidadania não tivessem sido trocados por comportamentos de profundo oportunismo, talvez não tivéssemos chegado à situação desastrosa que os resultados eleitorais espelham e ao estado de decadência total em que caíram as estrutura intermédias e de base do CCP hoje inexistentes.
Reiteramos a nossa disponibilidade e a dos nossos Delegados espalhados pelo mundo, para participar e ajudar a desenvolver, todos os projectos e iniciativas que, como o Observatório da Emigração ou o futuro Museu das Comunidades, unam as nossas comunidades a Portugal e façam das suas historias uma historia comum.