CCP Conselho das Comunidades Portuguesas
-- Fim à vista depois do haraquiri de Outubro em Lisboa
 
 

 

Consumou-se aquilo que há muito se receava. O Conselho das Comunidades Portuguesas, pelas suas negativas práticas, pela qualidade de alguns dos seus conselheiros que não entendem ou sabem as verdadeiras funções para o que terão sido eleitos, pelo pretensiosismo de uns quantos e pela ânsia de um protagonismo de meia dúzia de oportunistas, deixou praticamente de existir.

 

Já os resultados das últimas eleições, que se saldaram por um fracasso estrondoso, com níveis de votação quase residuais, não deixavam dúvidas quanto ao fim que se adivinhava. Mas a machadada final seria dada pelos próprios conselheiros no dia em que se reuniram em plenário em Lisboa no passado mês de Outubro.

 

O som das vozes dos tais “resistentes”, que são alguns dos eleitos, não abafa o generalizado clamor deste fracasso terminal, não concedendo, desta forma, a mínima margem de manobra ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas em autorizar qualquer reunião no meio desta confusão toda. Aliás, tanto quanto sabemos, o SECP já deu mesmo ordens para congelar tudo até os Tribunais resolveram a questão.

 

Mas não vamos falar sequer dos inúmeros atropelos à interpretação da Lei ocorridos nesse plenário de triste memória, nem aos pedidos de impugnação que entretanto surgiram.

 

O que importa aqui atentar é na análise que se faz um pouco por toda a parte: o CCP apenas tem sentido para certos partidos, que através dos seus militantes o politizaram à exaustão, que dele sistematicamente se servem como arma de arremesso contra quem estiver a governar; interessa a uma casta de pretensiosos, alguns deles desconhecedores das mais básicas questões do dia-a-dia das nossas comunidades, outros que nem sequer se dignam ir a uma associação ouvir as queixas que diariamente se fazem. Convenhamos que isto não é nada e não serve os interesses dos portugueses que vivem e trabalham no estrangeiro.

 

A APE, Associação dos Portugueses no Estrangeiro já alertara por diversas ocasiões para o descalabro que se avizinhava, mas concedeu, como se impunha e competia, o benefício da dúvida. Como entidade responsável e coerente, não critica por criticar, nem diz que está tudo mal sem que apresente razões e propostas alternativas, porque entende, acima de tudo, que os 5 milhões de portugueses que vivem fora de Portugal merecem ser respeitados e ser representados pela estrutura que melhor os sirva. O CCP era a esperança em que nós também acreditámos mas hoje, lamentavelmente, pelos seus próprios erros começa a pertencer ao passado.

Segunda-Feira, 1 de Dezembro 2008